Jackson Cionek
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Quando o Clima Entra no Corpo: APUS, Gestação e Educação em Tempos de Emergência Climática

Quando o Clima Entra no Corpo: APUS, Gestação e Educação em Tempos de Emergência Climática

DREX Cidadão, Crédito de Carbono Cidadão e Prosperidade Bribri como Metabolismo de Zona 2

Talvez a gente precise começar com uma frase simples:

o clima não fica fora do corpo.

Quando o calor aumenta, ele não altera apenas o termômetro. Ele entra na pele, na respiração, no sono, no coração, na água que falta, na escola que fecha, na gestação que precisa de cuidado e na criança que tenta aprender em um território quente demais.

Na linguagem BrainLatam2026, isso é APUS: corpo-território. O corpo não termina na pele. O território entra no corpo como calor, ar, água, sombra, ruído, medo, deslocamento, alimento, escola, cuidado e possibilidade de brincar.

A Organização Mundial da Saúde publicou, em 2023, um chamado à ação para proteger a saúde materna, neonatal e infantil diante dos impactos da crise climática, incluindo riscos para gestantes, recém-nascidos, crianças e saúde mental. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na Nature Medicine reforça que a exposição ao calor é uma ameaça importante para a saúde materna, fetal e neonatal. (World Health Organization)

Então a pergunta não é apenas:

“está muito quente?”

A pergunta BrainLatam2026 é:

que corpo está recebendo esse calor?
Que território protege ou abandona esse corpo?
Que gestação, infância e aprendizagem estão sendo moldadas por esse clima?

O território começa antes da escola

A gestação é uma fase em que o corpo ainda está organizando seus sistemas básicos. Antes do caderno, há placenta. Antes da prova, há sono. Antes da alfabetização, há temperatura. Antes da atenção, há corpo em formação.

Uma revisão de 2024 sobre exposição ao calor intrauterino mostra que ainda há muitas lacunas científicas, mas também aponta que o calor na gestação pode contribuir para desigualdades futuras em saúde e resultados sociais, especialmente em territórios com menos recursos de adaptação. Um estudo de coorte publicado em 2025 encontrou associação entre exposição materna a ondas de calor, especialmente no início e no final da gestação, e maior risco de atraso no neurodesenvolvimento em crianças pequenas. (Springer)

Isso não significa transformar cada gestante em culpada pelo calor que recebe. Ao contrário: significa mostrar que gestação é política pública. O clima que chega ao corpo grávido não é apenas “ambiente”. É APUS entrando no desenvolvimento.

Calor também é crise educacional

O UNICEF alerta que crianças pequenas são especialmente vulneráveis ao estresse térmico, porque regulam pior a temperatura corporal e dependem mais de adultos, água, sombra, moradia e infraestrutura para se proteger. Em 2025, o UNICEF também estimou que pelo menos 242 milhões de estudantes em 85 países tiveram a escolarização interrompida por eventos climáticos extremos em 2024, incluindo ondas de calor, ciclones, tempestades, enchentes e secas. (UNICEF)

Isso muda a conversa.

Não basta perguntar como ensinar mudança climática. A pergunta é:

como aprender quando o próprio clima empurra o corpo para defesa?

Zona 3 não é apenas trauma social, violência ou ideologia capturando o corpo. Zona 3 também pode ser clima entrando como ameaça fisiológica.

Quando o calor é extremo, o corpo gasta energia para sobreviver: regular temperatura, buscar água, reduzir esforço, lidar com desconforto, dormir pior e sustentar alguma atenção. Na escola, isso pode parecer desinteresse. Mas talvez seja corpo em defesa.

Quando o clima empurra o corpo para Zona 3, a atenção vira sobrevivência antes de virar aprendizagem.

O Banco Mundial, no relatório Choosing Our Future: Education for Climate Action, também reforça que a educação precisa ser parte da resposta climática, tanto para proteger aprendizagem quanto para formar capacidades de adaptação e ação climática. (Open Knowledge Repository)

Crédito de Carbono Cidadão: carbono não é fumaça financeira

Aqui a discussão climática precisa sair da abstração.

Se o calor entra no corpo da gestante, se a criança perde sono, se a escola fecha por evento climático, então o carbono não pode ser apenas ativo distante, planilha, contrato ou promessa de compensação. Ele precisa voltar ao território como cuidado real.

Na leitura BrainLatam2026, precisamos imaginar um Crédito de Carbono Cidadão: créditos direcionados prioritariamente ao CPF de moradores próximos ou dentro de áreas preservadas, agricultores familiares, comunidades tradicionais, povos originários e famílias que comprovem boas práticas reais de manejo: coleta seletiva, compostagem, reflorestamento, preservação de água, cuidado com nascentes, redução de resíduos e proteção do território.

Com regras claras:

não concentrar crédito em poucos CPFs;
não entregar a CNPJ;
não permitir carbono sem território;
não transformar floresta em ativo fictício;
não deixar fundo financeiro lucrar com o carbono que a comunidade protege.

O carbono precisa voltar como sombra na escola, água na comunidade, compostagem no bairro, proteção de nascentes, arborização, segurança térmica para gestantes e Zona 2 para crianças aprenderem.

Dinheiro-dívida ou dinheiro-metabolismo?

Aqui entra a crítica ao sistema financeiro atual.

Grande parte da vida social é organizada por um dinheiro que nasce como dívida: empréstimo, cobrança, garantia, juros e obrigação futura. Na linguagem BrainLatam2026:

dinheiro-dívida é Zona 3 econômica.

Ele obriga o corpo social a correr antes de respirar. Obriga famílias a produzir antes de pertencer. Obriga territórios a virar garantia. Obriga natureza a virar ativo. Obriga carbono a virar número de alavancagem.

A crítica não é contra o dinheiro. É contra o dinheiro nascer apenas como dívida e cobrança. A crítica não é contra o carbono como ferramenta. É contra o carbono virar fumaça financeira.

A pergunta é outra:

e se o dinheiro pudesse nascer também como metabolismo de pertencimento?

O DREX Cidadão, na leitura BrainLatam2026, seria dinheiro nascendo no CPF como energia mínima de vida: para manter o corpo social em Zona 2, proteger gestantes, crianças, escolas, sono, alimentação, território, cultura e aprendizagem.

DREX Cidadão protege o corpo.
Crédito de Carbono Cidadão protege o território.
APUS mostra que corpo e território são uma continuidade.

Prosperidade Bribri e Lixo Zero

A Prosperidade Bribri, na nossa leitura, ajuda a imaginar uma economia que não separa vida, território e cuidado. Não é prosperar destruindo. Não é crescer intoxicando o próprio chão. Não é transformar natureza em planilha distante.

É prosperar como metabolismo territorial.

Por isso, Lixo Zero não é apenas reciclagem. É uma pedagogia de APUS: separar resíduos, compostar, reduzir descarte, proteger água, cultivar solo, arborizar escolas e devolver carbono como vida local.

Lixo Zero é o corpo social deixando de intoxicar o próprio corpo-território.

Escola como abrigo climático

A escola do futuro não pode ser apenas prédio com sala, quadro e prova. Ela precisa ser abrigo climático: sombra, água, ventilação, árvores, pátio vivo, horários sensíveis ao calor, alimentação adequada, protocolos de proteção e currículo que ajude adolescentes a entender o clima sem cair em pânico ou negação.

A pergunta científica para adolescentes é:

como o calor do território altera corpo, atenção, sono, gestação e aprendizagem — e como políticas de APUS podem devolver Zona 2?

Um estudo BrainLatam2026 poderia medir EEG para atenção e fadiga, fNIRS para esforço pré-frontal, ECG/HRV para regulação autonômica, respiração, GSR, temperatura da sala, umidade, sono, conforto térmico, arborização e práticas locais de compostagem e coleta seletiva.

A hipótese seria:

quando o território reduz calor extremo e oferece APUS protegido, o corpo gasta menos energia em defesa e pode sustentar melhor gestação, sono, atenção, aprendizagem e Zona 2.

Fechamento

O clima entra no corpo.
Mas o dinheiro também entra.

Quando nasce como dívida, aperta.
Quando nasce como juros, pressiona.
Quando nasce como alavancagem, distancia.
Quando nasce como carbono fictício, trai o território.

A emergência climática não é apenas crise ambiental. É crise de APUS, gestação, aprendizagem, Zona 2, pertencimento e dinheiro nascendo longe da vida.

A pergunta final é:

vamos deixar o dinheiro nascer da dívida e o carbono nascer da especulação, ou vamos permitir que dinheiro e carbono nasçam como metabolismo público de pertencimento, cuidado territorial e vida em Zona 2?


Referências pós-2021 usadas

World Health Organization. Protecting maternal, newborn and child health from the impacts of climate change: A call for action, 2023. (World Health Organization)

Lakhoo, D. P. et al. A systematic review and meta-analysis of heat exposure impacts on maternal, fetal and neonatal health, Nature Medicine, 2025. (Nature)

Brink, N. et al. Impacts of heat exposure in utero on long-term health and social outcomes: a systematic review, BMC Pregnancy and Childbirth, 2024. (Springer)

Lin, Q. et al. Heat wave exposure during pregnancy and neurodevelopmental delay in young children: A birth cohort study, Environmental Research, 2025. (ScienceDirect)

UNICEF. Beat the Heat, 2024. (UNICEF)

UNICEF. Nearly a quarter of a billion children’s schooling was disrupted by climate crises in 2024, 2025. (UNICEF)

World Bank. Choosing Our Future: Education for Climate Action, 2024. (Open Knowledge Repository)






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Jackson Cionek

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