Mecanismos subjacentes das respostas de incompatibilidade visual – Um estudo com EEG-fMRI
Mecanismos subjacentes das respostas de incompatibilidade visual – Um estudo com EEG-fMRI
Schlossmacher et al., iScience (2025)

Mecanismos subjacentes das respostas de incompatibilidade visual – Um estudo com EEG-fMRI
1) O que o estudo demonstra com clareza
Este trabalho fornece evidência robusta e multimodal de que os mecanismos envolvidos na detecção de desvios visuais não são únicos, mas variam sistematicamente no tempo e ao longo da hierarquia cortical:- Estágios iniciais / sensoriais (córtex occipital posterior) → predomínio da adaptação
- Estágios tardios / hierárquicos (occipital anterior e lobo parietal superior – SPL) → predomínio do erro de predição (prediction error, PE)
- EEG
- vMMN (160–210 ms) → dominada por adaptação
- P3 (300–600 ms) → dominada por erro de predição
- fMRI
- OC posterior → adaptação
- OC anterior + SPL → erro de predição
2) Valor conceitual
O estudo resolve uma questão clássica dos paradigmas oddball:A maior resposta aos estímulos raros reflete um “mismatch” genuíno ou apenas fadiga/adaptação ao estímulo padrão?
A resposta empírica apresentada é: ambos, porém em momentos e níveis diferentes do processamento neural.
- Adaptação explica as diferenças precoces, predominantemente sensoriais.
- Erro de predição explica as diferenças tardias, associadas à atualização do modelo interno.
3) Força metodológica
- Uso de EEG-fMRI simultâneo, ainda raro na literatura.
- Inclusão de uma condição controle equiprovável, essencial para dissociar mecanismos.
- Aplicação de fatores Bayesianos para avaliar ausência de efeitos — uma abordagem estatisticamente madura.
- Coerência temporal (ERP) e espacial (BOLD) dentro do mesmo conjunto de dados.
4) Leitura crítica
- A ausência de efeitos robustos em regiões como IFJ e ínsula anterior sugere que:
- o desvio visual pode não ter sido suficientemente saliente, ou
- o paradigma favoreceu redes dorsais (SPL) em detrimento das ventrais.
- As correlações entre EEG e fMRI para os mecanismos específicos (adaptação vs. PE) não foram conclusivas:
- isso indica que assinaturas temporais (ERP) e espaciais (BOLD) não se mapeiam de forma direta no nível individual;
- reforça a necessidade de modelos computacionais latentes para integrar métodos.
5) Síntese interpretativa (ponto central)
O achado central pode ser resumido da seguinte forma:O cérebro primeiro se adapta ao que é esperado; depois sinaliza ativamente o erro quando o mundo não corresponde ao modelo interno.
Ou seja:
- O mismatch precoce é majoritariamente sensorial-fisiológico.
- O mismatch tardio é cognitivo-preditivo, envolvendo atualização hierárquica.
6) Implicações teóricas
O estudo reposiciona a vMMN:- não como um marcador puro de erro de predição,
- mas como um fenômeno misto, fortemente influenciado por adaptação quando o estímulo é irrelevante para a tarefa.
- um índice robusto de erro de predição em níveis hierárquicos mais altos, coerente com modelos bayesianos do cérebro.
7) Conclusão
Schlossmacher et al. demonstram de forma convincente que o processamento de desvios visuais não é instantâneo nem homogêneo.Ele é temporal, hierárquico e dependente do nível cortical envolvido.
Este estudo estabelece um novo padrão de referência para pesquisas futuras sobre mismatch, percepção preditiva e organização funcional da consciência sensorial.
Primeiro, o sensor se adapta.
Depois, o modelo é corrigido.
Ref.:
Schlossmacher, I., Protmann, I., Dilly, J., Hofmann, D., Dellert, T., Peters, A., Roth-Paysen, M.-L., Moeck, R., Bruchmann, M., & Straube, T. (2025). Underlying mechanisms of visual mismatch responses – An EEG-fMRI study. IScience, 28(12), 114039. https://doi.org/10.1016/j.isci.2025.114039

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