Jackson Cionek
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Jiwasa e Sistemas Complexos: liderança orgânica por pautas e biomas

Jiwasa e Sistemas Complexos: liderança orgânica por pautas e biomas

Quando eu olho um bando de pássaros no céu, eu lembro imediatamente do Jiwasa:

não sou “eu” sozinho,
não é “você” isolado,
é “nós” em movimento.

Na natureza, bandos e cardumes não têm presidente, governador nem CEO.
Mesmo assim:

  • desviam de predadores,

  • mudam de direção,

  • atravessam oceanos,

  • pousam e levantam voo como se fossem um único corpo.

A ciência chama isso de flocking:
um comportamento emergente a partir de regras locais muito simples,
sem comando central explícito.

Eu quero traduzir isso para a política:

Jiwasa + Sistemas Complexos = liderança orgânica por pautas e biomas.
Lideranças que aparecem e desaparecem conforme a pauta,
não donos eternos do poder.


O foco deste texto

De tudo que eu poderia explorar (teoria política, sociologia, história), eu escolho um foco só:

Em sistemas complexos vivos, liderança verdadeira é orgânica, rotativa e contextual.
Precisamos de instituições que imitem bandos de pássaros, não exércitos em parada.

Isso significa:

  • lideranças por pauta (água, saúde, dados, DREX, floresta…),

  • lideranças por bioma (cordilheira, deserto, costa, floresta…),

  • e não figuras fixas que concentram tudo.


Três regras do bando, três regras para o Jiwasa político

Estudos clássicos e revisões recentes sobre comportamento de bandos mostram que:

  • o voo coordenado pode emergir de três regras básicas:

    1. evitar colisões (manter distância mínima);

    2. alinhar a direção com vizinhos;

    3. manter coesão com o grupo (não se isolar).

Modelos computacionais de “flock leadership” mostram que:

  • líderes podem emergir sem serem definidos previamente,

  • apenas como efeito das interações locais entre indivíduos;

  • certas configurações de regras locais geram formas diferentes de aprendizado coletivo.

Se eu traduzo isso em termos políticos:

  1. Evitar colisões = evitar destruição de corpos e biomas

    • qualquer liderança que produz dano estrutural ao bioma ou a comunidades perde legitimidade metabólica.

  2. Alinhar direção local = coordenar metas de curto e médio prazo com o bioma

    • liderança local alinha-se com o que o bioma aguenta, não com planilhas abstratas de crescimento.

  3. Manter coesão = preservar Jiwasa

    • decisões não podem quebrar completamente o senso de pertencimento;

    • se a liderança divide o Jiwasa de forma irreversível, ela deixa de ser orgânica e vira predatória.

Nesse sentido:

o líder não é um “dono” permanente;
é um indivíduo que, naquela pauta e naquele momento,
está melhor posicionado no fluxo para apontar uma direção.

Quando a situação muda, o próprio sistema reposiciona outra liderança.


Sistemas complexos e liderança distribuída

Pesquisas em sistemas complexos e auto-organização explicam que:

  • ter regras locais bem desenhadas é mais robusto do que concentrar tudo em um nó central;

  • sistemas auto-organizados conseguem se reconfigurar quando há falhas ou ataques.

Isso vale para:

  • redes de telecom,

  • Internet,

  • ecossistemas,

  • e também para democracias que queiram sobreviver aos choques do século XXI.

O que eu chamo de Jiwasa político é:

a consciência de que o sujeito verdadeiro da política é o “nós” encarnado em biomas e pautas,
não o “eu” separado que ocupa cargos.

Instituições inspiradas em sistemas complexos devem:

  • reduzir o tamanho do palco fixo de lideranças;

  • aumentar o número e o poder de micro-palcos rotativos por pauta e território;

  • codificar, em lei, regras de emergência, rotação e recall,
    em vez de fixar personalidades no topo.


Neurociência de sincronia, decisão coletiva e liderança

Do ponto de vista da neurociência, isso faz sentido.

Pesquisas com agentes neurais encarnados em simulações mostram que:

  • decisões coletivas podem emergir de coordenação sensório-motora entre agentes com dinâmicas neurais simples;

  • o que parece “líder” em certos momentos é só um nó temporariamente mais influente na rede de acoplamentos.

Estudos em inter-brain synchrony mostram que:

  • quando grupos tomam decisões sob incerteza,
    aparecem padrões distintos de sincronização entre cérebros,
    dependendo da qualidade da relação e da forma de interação.

Pesquisas recentes indicam que:

  • identificação com o grupo aumenta ativação pré-frontal e sincronização orbitofrontal,
    melhorando o desempenho coletivo.

Se eu uno isso ao meu conceito de Jiwasa:

  • liderança orgânica emerge quando

    • sincronização suficiente (coerência de propósito),

    • mas também flexibilidade suficiente (ninguém é dono fixo do comando);

  • isso reduz o risco de sequestro do grupo por um “ego hipertrofiado”
    e favorece a inteligência distribuída.

A neurociência, aqui, confirma o que os bandos de pássaros já sabiam:

sistemas vivos decidem melhor quando lideranças são emergentes,
e não quando uma cabeça fixa tenta controlar tudo.


Liderança por pautas e biomas: como isso entra na Constituição

Na prática, liderança por pautas e biomas significa:

  • nenhuma pessoa concentra, por muito tempo,
    múltiplas chaves decisórias importantes;

  • a sociedade se organiza em círculos de decisão por tema:

    • água, energia, dados, saúde, educação, território, DREX, cultura;

  • e em círculos por bioma:

    • costa, cordilheira, valle, cidade, floresta, deserto.

Em cada combinação pauta + bioma, emergem lideranças:

  • técnicas,

  • comunitárias,

  • originárias,

  • científicas,

  • juvenis,

  • etc.

A Constituição precisa:

  • garantir espaços formais para esses círculos;

  • criar mecanismos de rotação e recall (Jiwasa retira liderança quando ela deixa de servir ao metabolismo comum);

  • impedir acumulação patológica de poder (uma mesma pessoa não pode estar em todas as frentes).


Costura com tudo que veio antes

Jiwasa e Sistemas Complexos amarram:

  • Democracia Metabólica de Biomas → define que o sujeito da política é o bioma vivo;

  • Comunicação Viva → fornece o espaço afetivo, narrativo e informacional para sincronia de cérebros;

  • DREX CIDADÃO / IMIGRANTE → dá oxigênio mínimo para que ninguém precise “se vender” a lideranças predatórias;

  • Soberania de Dados DANA → impede que algoritmos invisíveis escolham líderes por manipulação;

  • Datacentros ecológicos → sustentam a infra de decisão e pagamento em crises.

No fim, eu estou dizendo:

um novo constitucionalismo só vai funcionar se copiar mais os bandos e menos os impérios.


Proposta de artigo constitucional (rascunho em espanhol)

Artículo X – Jiwasa y liderazgo orgánico por pautas y biomas

  1. La función de liderazgo político se entenderá como una responsabilidad temporal y contextual, ejercida en el marco de comunidades de decisión definidas por biomas y por pautas específicas (agua, energía, datos, salud, educación, territorio, entre otras), y no como una propiedad permanente de personas o grupos.

  2. El Estado reconocerá y promoverá estructuras de deliberación y decisión colectiva basadas en la auto-organización de las comunidades y biomas (Jiwasa), incorporando mecanismos de rotación, revocatoria y relevo de liderazgos, de acuerdo con las necesidades metabólicas y los ciclos de cada territorio y temática.

  3. Ninguna persona podrá concentrar, de forma simultánea y prolongada, funciones de liderazgo en múltiples ámbitos críticos, de manera que se prevenga la acumulación patológica de poder y se favorezca la emergencia de liderazgos distribuidos.

  4. La ley establecerá los criterios para la conformación de consejos por pauta y por bioma, garantizando la participación de pueblos originarios, comunidades locales, juventudes, mujeres y grupos históricamente marginados, así como la integración de conocimientos científicos, saberes ancestrales y experiencias en primera persona.

  5. Las decisiones tomadas en estos consejos se articularán mediante redes de gobernanza compleja y adaptativa, compatibles con la protección de los biomas, la Democracia Metabólica de Biomas, la Soberanía de Datos DANA y el Buen Vivir Metabólico, asegurando la transparencia y la rendición de cuentas ante la comunidad Jiwasa.


Referências comentadas

Sistemas complexos, flocking e liderança emergente

  1. Reynolds, C. W. (1987). “Flocks, herds and schools: A distributed behavioral model.” Computer Graphics.
    Clássico que mostra como três regras simples explicam o movimento coordenado de bandos. Eu uso como base metafórica e técnica para liderança emergente.

  2. Quera, V. (2010). “Flocking Behaviour: Agent-based models for emergence of leaders.” Journal of Artificial Societies and Social Simulation.
    Mostra que líderes podem emergir espontaneamente em modelos de bandos a partir de interações locais, sem regra explícita de “ser líder”. É a base de “lideranças de mentirinha” que aparecem e somem.

  3. Will, T. E. (2016). “Flock Leadership Theory.” Center for Connected Learning.
    Desenvolve uma teoria de liderança inspirada em bandos, ligando regras de interação a diferentes capacidades de aprendizado coletivo. Eu traduzo isso para conselhos por pauta e bioma.

  4. Gershenson, C. (2025). “Self-organizing systems: what, how, and why?” Nature Reviews Systems.
    Discute por que sistemas auto-organizados são mais robustos, reforçando a ideia de que democracias precisam de liderança distribuída, não centralizada.

Neurociência de decisão coletiva e sincronia

  1. Coucke, N. et al. (2025). “Collective decision making by embodied neural agents.” PNAS Nexus.
    Modela decisões coletivas emergindo de agentes com dinâmicas neurais simples coordenados sensório-motoramente. Serve como ponte entre flocking e processos de decisão “sem chefe”.

  2. Zhang, M. et al. (2021). “Interbrain Synchrony of Team Collaborative Decision-Making.” Frontiers in Human Neuroscience.
    Mostra padrões de sincronização entre cérebros durante decisões colaborativas em dupla/equipe. Ajuda a fundamentar a ideia de Jiwasa como sincronia de cérebros em tarefa comum.

  3. Reinero, D. A. et al. (2021). “Inter-brain synchrony in teams predicts collective performance.” SCAN.
    Evidência forte de que sincronização neural está ligada a desempenho coletivo. Um argumento direto para desenhar instituições que facilitem sincronia (Comunicação Viva) e não ruído.

  4. Vicente, U. et al. (2023). “Intra- and inter-brain synchrony oscillations underlying automatic dyadic convergence.” Scientific Reports.
    Explora a sincronia intra e entre cérebros em convergência automática entre duas pessoas. Isso reforça que convergência política saudável é um fenômeno também biológico, não só discursivo.

  5. Xie, E. et al. (2025). “Group identification drives brain integration for collective performance.” eLife.
    Mostra como identificação com o grupo melhora desempenho coletivo via ativação pré-frontal e sincronização orbitofrontal. É o núcleo neurocientífico do Jiwasa como “nós que pensa melhor junto”.







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