Jackson Cionek
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Bolhas sem DNA - quando a internet começa a parecer uma sociedade

Bolhas sem DNA - quando a internet começa a parecer uma sociedade

Quando vemos uma multidão digital, quantos organismos reais existem ali?

Imagine abrir uma rede social.

Há dez mil perfis discutindo o mesmo assunto.

Milhares de fotografias.

Avatares.

Comentários.

Curtidas.

Respostas.

Perfis compartilhando as mesmas palavras.

Alguns parecem concordar.

Outros atacam.

Alguns aparecem todos os dias.

Outros surgem apenas quando determinado assunto ganha relevância.

Olhando a tela, parece haver uma multidão.

Mas quantos organismos vivos existem ali?

Dez mil?

Cinco mil?

Cem?

Nenhum?

Um único ser humano pode administrar diversos perfis.

Um avatar pode ser compartilhado por várias pessoas.

Uma conta pode publicar automaticamente.

Um bot pode conversar com outros bots.

Um agente de inteligência artificial pode produzir milhares de interações.

Um mesmo organismo pode aparecer em dezenas de endereços digitais.

E milhares de endereços podem não corresponder diretamente a nenhum organismo humano naquele momento.

Por isso, neste blog, chamamos essas estruturas de:

Bolhas sem DNA

Não como uma nova categoria biológica.

Mas como uma metáfora BrainLatam para sistemas em que padrões coletivos podem emergir entre entidades informacionais sem que cada unidade visível corresponda a um organismo vivo.

Antes da internet, voltemos às células

Quorum sensing foi inicialmente estudado principalmente em bactérias.

De forma simplificada, células produzem moléculas sinalizadoras.

À medida que a população aumenta, a concentração desses sinais pode aumentar.

Quando determinadas condições são atingidas, a população modifica coletivamente certos padrões de expressão gênica e comportamento.

É tentador transformar isso numa regra universal:

muitas células + mesmo sinal = quorum sensing.

Mas não é tão simples.

Diferenciação celular pode envolver:

genes,

morfógenos,

forças mecânicas,

posição,

densidade,

sinais parácrinos,

interações entre células,

matriz extracelular,

história anterior da célula.

O pesquisador chileno Roberto Mayor e Delan Alasaadi revisaram em 2024 como forças mecânicas, densidade celular, pressão, tensão e propriedades do ambiente físico também participam da determinação do destino celular durante o desenvolvimento. (Springer)

Portanto:

diferenciação celular não é quorum sensing.

Mas encontramos algo particularmente interessante em 2023.

Células-tronco também podem realizar algo semelhante a quorum sensing

Hirad Daneshpour e colaboradores estudaram células-tronco embrionárias de camundongos durante diferenciação.

Essas células secretavam sinais como FGF4.

O surpreendente foi a escala.

As moléculas permitiam comunicação por milímetros e até distâncias macroscópicas dentro da cultura.

E a sobrevivência da população em diferenciação dependia de um limiar de densidade celular.

Os autores chamaram o fenômeno de:

macroscopic quorum sensing. (Nature)

Uma célula isolada não estava simplesmente executando um programa independente.

O que acontecia com ela dependia também de informações produzidas pelo conjunto.

Isso nos interessa profundamente.

Mas precisamos colocar uma fronteira.

As células não estavam:

“sentindo pertencimento”.

Não temos evidência para atribuir a elas esse tipo de experiência consciente.

O que podemos dizer é:

uma informação distribuída pela população pode modificar materialmente o estado das unidades que compõem essa população.

É daí que BrainLatam começa sua extrapolação.

Pertencimento começa quando o sinal também me atravessa?

Imagine uma comunidade humana.

Todos sabem que existe determinado evento.

Mas você nunca participa dele.

A informação circula ao seu redor.

Não atravessa sua vida.

Agora imagine outra situação.

Existe um acontecimento compartilhado e você sabe que:

aconteceu comigo,
aconteceu com você
e ambos sabemos que participamos dele.

Na hipótese BrainLatam, talvez exista aqui uma diferença importante entre:

observar um grupo

e

perceber-se pertencendo ao grupo.

Nossa hipótese não é que seres humanos realizem um “quorum sensing social”.

Isso seria uma redução inadequada.

A pergunta é outra:

para que eu me perceba pertencendo, alguma referência compartilhada precisa atravessar também o meu Corpo-Território?

Não necessariamente a mesma frase.

Nem a mesma crença.

Mas algum acontecimento que possa ser reconhecido simultaneamente como:

meu

e

nosso.

A neurociência social começa a enxergar sistemas que atravessam mais de um corpo

A neurociência tradicional colocou uma pessoa diante de uma tela e estudou seu cérebro.

Mas interações humanas acontecem entre pessoas.

Pesquisadores latino-americanos vêm participando ativamente dessa mudança.

Uma revisão de 2024/2025 liderada por pesquisadores ligados a instituições chilenas analisou o embodied hyperscanning, no qual sinais cerebrais e corporais são registrados simultaneamente em várias pessoas durante interação. A proposta aproxima cérebro, corpo e ambiente em vez de estudar cada componente isoladamente. (PubMed)

Em 2025, o pesquisador chileno Ivo Leiva-Cisterna, Paulo Barraza e colaboradores mostraram experimentalmente que estimulação sensorial coordenada entre duas pessoas pode modificar comportamento cooperativo, oferecendo uma aproximação causal à relação entre coordenação neural e interação social. (PubMed Central (PMC))

Isso não demonstra nossa hipótese de pertencimento.

Mas mostra algo importante:

um acontecimento compartilhado pode atravessar mais de um organismo e participar da dinâmica da interação entre eles.

O Jiwasa que discutimos anteriormente reaparece aqui.

Não como sincronização cerebral.

Mas como pergunta:

quando algo que acontece em mim também acontece com você, em que momento começamos a perceber que existe um “nós”?

Agora entre na internet

Uma rede digital também possui sinais compartilhados.

Uma hashtag.

Uma imagem.

Um vídeo.

Uma notícia.

Uma frase.

Um meme.

Milhares de contas começam a repeti-los.

Parece quorum.

Parece consenso.

Parece pertencimento.

Mas existe um problema fundamental.

Não sabemos quantos organismos existem por trás daquilo.

Um estudo global publicado em 2025 comparou bots e humanos em aproximadamente 200 milhões de usuários observados ao longo de sete grandes eventos. Naquele conjunto específico de dados, cerca de 20% da conversação analisada foi atribuída a bots. Os autores encontraram também diferenças sistemáticas nos padrões de identidade e interação entre contas automatizadas e humanas. Esse número não deve ser generalizado para “20% de toda a internet”, mas demonstra a dimensão do problema. (Nature)

Então:

mil contas não significam mil pessoas.

Nem:

mil pessoas significam mil contas.

A internet perdeu a correspondência entre unidade digital e organismo

Uma conta poderia representar:

uma pessoa.

Mas também:

várias pessoas,
uma empresa,
um partido,
uma comunidade,
um software,
um bot,
um agente de IA,
uma combinação deles.

Por isso a pergunta:

quando vemos uma multidão digital, quantos organismos reais existem ali?

torna-se também uma pergunta política.

Porque números digitais criam percepção de maioria.

E percepção de maioria pode influenciar:

relevância,

confiança,

medo,

pertencimento,

decisões,

votos.

Bots sofisticados podem inclusive utilizar identidades instrumentais para parecer membros de grupos humanos e intervir nas dinâmicas ingroup/outgroup. (Sage Journals)

Uma bolha sem DNA pode, portanto, parecer uma sociedade sem necessariamente possuir uma correspondência simples com uma sociedade de organismos.

Luciana Parisi: o algoritmo não apenas transporta informação

Aqui podemos retornar a Luciana Parisi.

Em seu trabalho recente sobre computação, Parisi questiona a ideia de que sistemas algorítmicos sejam apenas instrumentos passivos executando ordens humanas.

A computação produz inferências, probabilidades e organizações do espaço informacional que ultrapassam aquilo que cada usuário individual consegue acompanhar. Em Recursive Philosophy and Negative Machines, publicado em 2022, ela discute justamente como a automação transforma formas de decisão e conhecimento. (RCNi Company Limited)

Na edição de 2022 de Contagious Architecture, sua formulação sobre algoritmos construindo espacialidades e temporalidades digitais permanece particularmente relevante. (Penguin Random House)

Isso significa que, numa rede social, o padrão emergente não depende apenas:

daquilo que as pessoas publicaram.

Depende também:

do que foi selecionado,
ordenado,
recomendado,
repetido,
ocultado,
amplificado.

Bolhas não precisam começar como bolhas

Este ponto é particularmente importante.

A pesquisadora argentina Natalia Aruguete, Ernesto Calvo e Tiago Ventura demonstraram em experimentos realizados na Argentina, Brasil e México que mesmo uma rede inicialmente diversificada pode ser percebida como polarizada quando usuários partidários compartilham determinados conteúdos com maior intensidade.

Eles chamam esse processo de Network Activated Frames.

O resultado é importante:

uma bolha pode emergir da dinâmica de amplificação mesmo quando a rede originalmente não era completamente fechada. (ResearchGate)

Então não existe apenas:

algoritmo criando bolha.

Existem interações entre:

**algoritmos

  • escolhas humanas

  • arquitetura da plataforma

  • repetição

  • incentivos

  • bots

  • redes de confiança.**

Quando os algoritmos tornam-se editores

O pesquisador chileno Sebastián Valenzuela chamou atenção em 2024 para algo fundamental:

vivemos cada vez mais em ambientes nos quais algoritmos participam da função anteriormente atribuída aos editores.

Eles ajudam a determinar quais notícias e informações recebem visibilidade.

Isso concentra um tipo novo de poder:

o poder de aumentar a probabilidade de algo ser percebido. (SciELO)

Os argentinos Martín Becerra e Silvio Waisbord também destacaram em 2024 a fragilidade do debate latino-americano sobre soberania digital diante da concentração de plataformas globais, incluindo questões de moderação, circulação de conteúdo, dados, propriedade de infraestrutura e poder econômico. (Revistas Javeriana)

No Brasil, Fabio Malini e colaboradores mostraram como redes de desordem informacional no Telegram podem estruturar mobilização política através da circulação coordenada de conteúdos e comunidades conectadas. (First Monday)

Então a questão deixa de ser apenas:

o que é verdadeiro?

E passa também a ser:

quem possui poder para decidir quais diferenças terão oportunidade de entrar no campo perceptivo?

Uma bolha algorítmica também é uma bolha temporal

A plataforma não seleciona apenas o que aparece.

Seleciona também:

quando,
quantas vezes,
por quanto tempo
e em qual sequência.

Isso nos devolve à Consciência 5D.

Na hipótese BrainLatam, o tempo vivido emerge da dinâmica entre representações materiais ativadas ou pré-ativadas no espaço 3D do Corpo-Território.

A ciência contemporânea não demonstra esse mecanismo.

Mas sabemos que experiência temporal depende de contexto.

O pesquisador brasileiro André Cravo, da UFABC, acompanhou 3.855 brasileiros durante o isolamento social e mostrou que a experiência subjetiva da passagem do tempo se relacionava fortemente a fatores como solidão, estresse e emoções positivas. (PubMed Central (PMC))

Em 2024, Fernanda Bueno, Anna Nobre e André Cravo mostraram com EEG que o mesmo intervalo físico recruta tanto processos temporais compartilhados quanto processos dependentes da tarefa utilizada para julgá-lo. (eNeuro)

O relógio pode repetir o mesmo segundo.

O Corpo-Território não precisa viver o mesmo segundo da mesma maneira.

Política e religião já conhecem o poder do acontecimento repetido

Muito antes das redes sociais, sociedades organizavam pertencimento através de acontecimentos repetidos.

Calendários.

Festas.

Rituais.

Orações.

Sinos.

Colheitas.

Datas cívicas.

Eleições.

Salários.

Impostos.

O acontecimento repetido não organiza apenas uma agenda.

Ele pode ajudar um grupo a reconhecer:

“isso acontece conosco.”

Religiões compreenderam há milênios a potência do ritual recorrente.

Estados construíram calendários cívicos.

Mercados estruturaram meses por salários, juros e vencimentos.

Plataformas digitais agora organizam parte do cotidiano através de:

notificações,

feeds,

trends,

streaks,

recompensas.

Todos produzem temporalidades.

Mas quem deveria possuir o direito de organizar o tempo comum?

Drex Cidadão: dinheiro ou sinal de pertencimento?

Aqui entramos explicitamente numa proposta BrainLatam, e não numa política existente do Banco Central.

Atualmente, o Drex é uma infraestrutura brasileira em desenvolvimento para operações com ativos digitais, programabilidade e contratos inteligentes. O Piloto Drex utilizou clientes e ativos simulados; a fase 2 foi encerrada, e o próprio Banco Central continua colocando privacidade, segurança e proteção de dados como desafios centrais. (Banco Central do Brasil)

O Drex Cidadão diário que propomos aqui não existe atualmente como funcionalidade oficial do Drex.

É outra ideia.

Imagine que cada cidadão receba diariamente uma pequena transferência pública universal.

Não porque:

é pobre.

Não porque:

está desempregado.

Não porque:

pertence ao grupo político correto.

Mas porque:

é cidadão.

A informação seria econômica.

Mas também seria institucional:

“você participa desta comunidade política.”

O mesmo acontecimento atravessa todos os Corpos-Territórios

À meia-noite, ou em outro momento público definido democraticamente, o evento ocorre.

Um Drex Cidadão entra.

No trabalhador.

No estudante.

No empresário.

No desempregado.

No indígena.

No agricultor.

Naquele que votou no governo.

Naquele que votou contra.

Não estamos afirmando que uma transferência financeira produzirá automaticamente pertencimento.

A literatura sobre transferências mostra justamente que seus efeitos coletivos dependem muito do desenho: programas podem fortalecer determinadas formas de capital social, mas focalizações percebidas como injustas também podem criar divisões. Uma revisão sistemática de 2024 destaca exatamente essa ambivalência. (Wiley Online Library)

Na América Latina, o BID também mostra a enorme presença e importância dos sistemas de transferência de renda, mas seus efeitos dependem de cobertura, desenho e capacidade institucional. (IADB Publications)

Por isso nossa hipótese enfatiza:

universalidade.

Todos recebem porque todos pertencem.

Um pulso diário; um intervalo mensal

Mas existe uma segunda camada.

Não queremos apenas o evento.

Queremos sua repetição.

dia 1
dia 2
dia 3
...
dia 30.

O valor individual poderia ser pequeno.

O aspecto conceitualmente importante seria:

a recorrência.

Ao final de um mês, não teríamos apenas uma transferência mensal.

Teríamos:

trinta acontecimentos reconhecíveis.

Na hipótese da Consciência 5D, eventos repetidos poderiam oferecer marcos para a dinâmica dos espaços 3D ativados e pré-ativados que participam da experiência temporal.

Isso não está demonstrado pela neurociência.

É uma hipótese BrainLatam testável.

Poderíamos perguntar:

um evento público diário, previsível e universal modifica a forma como cidadãos representam o mês, antecipam futuro e percebem pertencimento ao Estado?

O Estado poderia produzir uma bolha diferente

A palavra “bolha” aqui precisa de cuidado.

Não queremos uma bolha estatal que controle aquilo que as pessoas podem pensar.

Isso repetiria o problema das plataformas em outra escala.

A bolha que propomos não seria:

todos recebendo a mesma opinião.

Seria:

todos participando do mesmo acontecimento público.

Essa distinção é fundamental.

Bolha algorítmica

Seleciona aquilo que você provavelmente verá.

Pode ser opaca.

Pode maximizar engajamento.

Pode amplificar algumas vozes e reduzir outras.

Não sabemos quantos organismos existem dentro dela.

Bolha cívica BrainLatam

Não define aquilo em que você deve acreditar.

Produz um evento universal e auditável.

Reconhece cada cidadão como participante.

Preserva privacidade.

Não condiciona dinheiro a opinião ou comportamento político.

Não precisa impedir divergência.

Ao contrário:

o mesmo acontecimento pode atravessar pessoas que continuam profundamente diferentes.

Talvez isso seja pertencimento democrático.

E o Bioma?

Para BrainLatam, cidadão não termina no cadastro estatal.

Existe como Corpo-Território.

Respira ar.

Bebe água.

Come aquilo que um território produz.

Depende de energia.

Clima.

Florestas.

Rios.

Outros organismos.

Portanto, um futuro Rendimento Bioma poderia adicionar outra camada:

não pertenço apenas a uma abstração chamada Estado.
pertenço também às relações materiais que tornam meu Corpo-Território possível.

Assim, Estado, cidadão e bioma poderiam compartilhar um acontecimento recorrente sem que isso exigisse compartilhar uma ideologia.

O pertencimento deixaria de ser apenas uma palavra.

Passaria por um acontecimento material.

Quando uma sociedade digital começa a parecer viva

Retornemos à internet.

Milhões de entidades trocam informação.

Algumas humanas.

Algumas automatizadas.

Algumas híbridas.

Padrões aparecem.

Ideias crescem.

Outras desaparecem.

Grupos atingem limiares.

Sinais são amplificados.

Comportamentos coordenados emergem.

Isso pode lembrar:

quorum sensing,

diferenciação,

auto-organização,

sociedade.

Mas devemos resistir ao ótimo local.

Parecer vivo não significa estar vivo.

Parecer uma sociedade não nos diz quantos seres existem nela.

Produzir informação não demonstra consciência.

É por isso que chamamos essas estruturas de:

Bolhas sem DNA.

Elas podem possuir emergência.

Memória computacional.

Recorrência.

Identidades.

Bots.

Agentes.

Avatares.

Algoritmos.

Mas a pergunta permanece:

onde estão os Corpos-Territórios?

Talvez a política digital do futuro dependa de recuperar essa diferença.

Não governar:

contas.

Mas reconhecer:

Seres.

Não contar apenas:

IPs, perfis, seguidores e visualizações.

Mas perguntar:

quantos organismos reais existem aqui, quais territórios tornam sua existência possível e quem está decidindo aquilo que terão oportunidade de perceber?

Talvez uma sociedade democrática precise justamente disso.

Uma infraestrutura digital capaz de conectar milhões de pessoas sem transformar milhões de representações digitais em substitutos dos Seres que representam.

Porque podemos criar quantos avatares quisermos.

Mas, para BrainLatam:

o Estado existe para Corpos-Territórios.

E não para bolhas sem DNA.


Referências principais

DANESHPOUR, H.; VAN DEN BERSSELAAR, P.; CHAO, C.-H.; FAZZIO, T. G.; YOUK, H. (2023). Macroscopic quorum sensing sustains differentiating embryonic stem cells. Nature Chemical Biology, 19, 596–606. DOI: 10.1038/s41589-022-01225-x.
Demonstra experimentalmente que células-tronco embrionárias em diferenciação podem utilizar comunicação química de longa distância e limiares de densidade populacional num mecanismo descrito como macroscopic quorum sensing. (Nature)

ALASAADI, D. N.; MAYOR, R. (2024). Mechanically guided cell fate determination in early development. Cellular and Molecular Life Sciences, 81, 242.
Com participação do pesquisador chileno Roberto Mayor, mostra que diferenciação celular depende também de forças mecânicas, densidade, pressão e propriedades do ambiente, impedindo reduzir diferenciação a quorum sensing. (Springer)

NAOUN, A. A.; RAPHAEL, I.; FORSTHUBER, T. G. (2022). Immunoregulation via Cell Density and Quorum Sensing-like Mechanisms. Cells, 11, 2442.
Revisa evidências de mecanismos semelhantes a quorum sensing no sistema imune de mamíferos, reforçando que coordenação dependente da população não é exclusiva de bactérias. (MDPI)

GRASSO-CLADERA, A. et al. (2025). Embodied hyperscanning for studying social interaction: A scoping review of simultaneous brain and body measurements. Social Neuroscience, 20(3), 163–179.
Com forte participação de pesquisadores ligados a instituições chilenas, defende integrar medidas simultâneas de cérebro, corpo e ambiente na investigação de interações sociais. (PubMed)

LEIVA-CISTERNA, I.; BARRAZA, P.; RODRÍGUEZ, E.; DUMAS, G. (2025). Sensory multi-brain stimulation enhances dyadic cooperative behavior. Social Cognitive and Affective Neuroscience, 20(1), nsaf104.
Pesquisa chilena oferece evidência experimental de que coordenação sensorial entre duas pessoas pode modificar comportamento cooperativo, sem transformar sincronização neural em sinônimo de pertencimento. (PubMed)

NG, L. H. X.; CARLEY, K. M. (2025). A global comparison of social media bot and human characteristics. Scientific Reports, 15, 10973.
Analisa cerca de 200 milhões de usuários em sete eventos e mostra que populações digitais incluem proporções relevantes de contas automatizadas e padrões distintos de identidade e interação, tornando inadequado equiparar contas a organismos humanos. (Nature)

LETOURNEAU, A. M. (2025). Instrumental Bot Identities and the Politics of Online Discourse. Social Media + Society.
Desenvolve a noção de identidades instrumentais de bots, mostrando como agentes automatizados podem apresentar-se como membros de grupos humanos e explorar dinâmicas de identidade social. (Sage Journals)

PARISI, L. (2022). Recursive Philosophy and Negative Machines. Critical Inquiry, 48(2), 313–333. DOI: 10.1086/717323.
Discute como automação, inferência algorítmica e sistemas probabilísticos transformam conhecimento e decisão, oferecendo base para pensar emergência e poder nas Bolhas sem DNA. (RCNi Company Limited)

PARISI, L. (2022 edition). Contagious Architecture: Computation, Aesthetics, and Space. MIT Press.
Propõe pensar algoritmos como participantes da construção de espacialidades e temporalidades digitais, importante para compreender que plataformas não apenas transportam informações, mas organizam os espaços onde elas podem emergir. A obra foi originalmente publicada antes de 2021; utiliza-se aqui a edição de 2022 como continuidade conceitual. (Penguin Random House)

ARUGUETE, N.; CALVO, E.; VENTURA, T. (2023). Network Activated Frames: Content Sharing and Perceived Polarization in Social Media. Journal of Communication, 73, 14–24.
Com experimentos na Argentina, Brasil e México, mostra como diferenças na amplificação de conteúdo podem produzir percepção de bolhas e polarização mesmo em redes com diversidade inicial. (Biología y Tecnología)

ARUGUETE, N.; CALVO, E. (2024). Sharing fact checking corrections in polarized political environments. Revista Internacional de Sociología, 82(4), e264.
Mostra, no contexto argentino, como polarização e contexto interferem na circulação de informação e de correções, reforçando que aquilo que chega à percepção depende da arquitetura social da circulação. (Revista de Sociología)

VALENZUELA, S. (2024). Cuando los algoritmos son editores: Cómo las redes sociales, la IA y la desinformación alteran el consumo de noticias. Comunicación y Medios, 33(49).
O pesquisador chileno discute como algoritmos passaram a exercer funções editoriais e como seu poder de seleção interfere na informação disponível à sociedade. (SciELO)

BECERRA, M.; WAISBORD, S. (2024). Soberanía y nacionalismo en entornos digitales: la llamativa ausencia de América Latina en el debate mundial. Signo y Pensamiento, 43.
Analisa a concentração de poder das plataformas e a limitada soberania digital latino-americana diante de questões como dados, moderação, infraestrutura e circulação de conteúdo. (Revistas Javeriana)

CAVALINI, A.; MALINI, F.; GOUVEIA, F.; COMARELA, G. (2023). Politics and disinformation: Analyzing the use of Telegram's information disorder network in Brazil for political mobilization. First Monday, 28(5).
Pesquisa brasileira mostra como redes digitais de circulação informacional podem estruturar comunidades e mobilização política. (First Monday)

CRAVO, A. M. et al. (2022). Time experience during social distancing: A longitudinal study during the first months of COVID-19 pandemic in Brazil. Science Advances, 8, eabj7205.
Acompanhando 3.855 brasileiros ao longo de semanas, mostra que experiência da passagem do tempo está fortemente relacionada a estados afetivos e condições vividas. (PubMed Central (PMC))

BUENO, F. D.; NOBRE, A. C.; CRAVO, A. M. (2024). Time for What? Dissociating Explicit Timing Tasks through Electrophysiological Signatures. eNeuro, 11(2).
Demonstra com EEG que intervalos físicos iguais podem envolver mecanismos temporais compartilhados e processos dependentes da tarefa, oferecendo base para distinguir tempo físico e experiência temporal sem provar o mecanismo 5D proposto pela BrainLatam. (eNeuro)

GRISOLIA, F.; DEWACHTER, S.; HOLVOET, N. (2024). Shifting the focus? From individual to collective-level effects of cash transfers: A systematic review of the impacts on social capital. Journal of International Development.
Mostra que transferências monetárias podem produzir efeitos coletivos sobre participação e capital social, mas também podem gerar exclusão ou tensão dependendo do desenho, sustentando a necessidade de testar empiricamente qualquer proposta de pertencimento econômico. (Wiley Online Library)

STAMPINI, M.; MEDELLÍN, N.; IBARRARÁN, P. (2023). Cash Transfers, Poverty, and Inequality in Latin America and the Caribbean. Inter-American Development Bank.
Analisa sistemas de transferência de renda em 17 países latino-americanos e fornece contexto regional para discutir cobertura, universalidade e desenho de políticas de renda. (IADB Publications)

BANCO CENTRAL DO BRASIL (2025–2026). Piloto Drex / Drex.
Documenta que o Drex atual é uma infraestrutura em desenvolvimento para ativos digitais, programabilidade e contratos inteligentes, com usuários finais simulados no piloto; o Drex Cidadão diário descrito neste texto é uma proposta BrainLatam, não uma política oficial do Banco Central. (Banco Central do Brasil)

BrainLatam (2026). Drex Cidadão Diário.
Propõe experimentalmente uma transferência pública universal e recorrente não como marcador de pobreza, mas como acontecimento material de cidadania capaz de investigar relações entre universalidade, pertencimento e temporalidade compartilhada.

BrainLatam (2026). Consciência 5D / Corpo-Território.
Formula Corpo-Território como unidade de Ser e propõe, como hipótese a ser testada, que a experiência temporal emerge da dinâmica entre movimentos e representações materiais ativadas ou pré-ativadas no espaço 3D real do organismo situado.

BrainLatam (2026). Bolhas sem DNA.
Metáfora conceitual para populações informacionais formadas por contas, IPs, avatares, bots, agentes de IA e representações humanas que podem exibir padrões emergentes sem permitir inferir diretamente quantos organismos vivos existem na estrutura digital.






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